Justiça?


Jack recebera esse nome por inspiração de seu pai que era encantado com a história do estripador da idade média de mesmo nome... Na verdade ele gostava de pensar assim, já que na realidade recebera esse nome por causa do Leonardo Di Caprio no filme Titanic...

Jack era um cara introvertido, uma pessoa que caminhava olhando pro chão, contava os passos entre um lugar e outro, adorava café e chás, refrigerantes e até uma cervejinha vez que outra, mas tudo isso em casa, não frequentava qualquer outro lugar que não sua casa, sua faculdade e seu trabalho... Ahn, e o minimercado que ficava uns 20 metros da sua casa.

Jack tinha uns hábitos meio estranhos, gostava tanto de batata palha que comia qualquer coisa com batata palha, a exemplo de um simples pão com margarina, Jack também gostava de fazer flexões e conversar sozinho, podia jurar que as flexões o ajudariam no caso de um apocalipse zumbi, e que a conversa sozinho ampliava suas habilidades comunicativas, bem como seu vocabulário, mas o mais estranho de tudo... Jack matava pessoas...

Sim amigos, Jack era um serial killer, mas não um assassino qualquer, Jack era peculiar até nisso, Jack apenas caçava políticos ou familiares destes que fossem comprovadamente corruptos. Em suas conversas com o espelho (Jack tinha várias dessas por semana), Jack comentou certa vez.

- A população não é lá muito esperta, se fosse, não trocaria seu voto por amizades, ou um rancho... Não... Eu sei o que é melhor pra eles...

E assim ia a vida de Jack, a cada novo sinal de corrupção na câmara municipal, a cada fiasco na prefeitura, lá estava Jack com seu sobretudo, chapéu, caderno de notas e câmera fotográfica, tudo isso em sua bicicleta com motor, sabe aquelas bem barulhentas e nada discretas? Então, exatamente esta...

E por incrível que pareça, Jack conseguia reunir provas o suficiente contra os corruptos mesmo desta forma, de tão descarados que eram os esquemas... Hoje, Jack está de olho em um "representante do povo" que acabou de entrar no banco de traz de uma BMW Série 7, um pouco acima do seu grupo de relacionamento...

Depois de 20 ou 30 minutos de conversa o carro começa a andar, e duas quadras depois o homem sai com um gordo saco de lixo em mãos... Jack o segue por pouco mais de 100 metros, até um determinado ponto onde ele entra em um grande prédio, Jack acorrenta seu "veículo" e entra no prédio da frente, corre pelas escadas, abre apressado a porta do apartamento apenas para ver, do outro lado da rua, o tetéia virando o saco de lixo sobre uma mesa e deixando uma fortuna em moeda estrangeira cair sobre a mesa da sala... Então vê a mulher do político entrando no lugar rindo, aplaudindo, extasiada...

- Aham... Pode deixar...


Jack atravessou a rua calmamente, passou pela portaria, tirou o chapéu, cumprimentou o porteiro, subiu pelas escadas tranquilamente, parou em frente a porta com o número 407, tirou a chave mestra que comprou de um amigo meses atrás (se esse amigo soubesse o que Jack andava aprontando com essa chave...), passou pela porta sem fazer qualquer ruído.

- Veio até o banheiro e com apenas um golpe, separou a cabeça do Sr. Sanchez do restante do corpo, a mulher do nosso amigo político deve ter ouvido o barulho, e enquanto vinha na direção do banheiro, foi interceptada com um soco que a fez desmaiar, então, tranquilamente o assassino caminhou até a sacada com a Sra. Sanchez, e a arremessou. A queda, naturalmente a matou. Explicou o detetive Pedro enquanto fazia o trajeto do banheiro à sacada apenas algumas horas depois da visita de Jack.

O detetive parecia intrigado, como alguém entrou tão fácil no apartamento e matou duas pessoas que estavam acordadas a não mais de 10 metros de distância uma da outra? qual seria a origem daquela pilha de dinheiro sobre a mesa? Ao menos o dinheiro teria uma resposta em poucas horas, já que algumas amostras foram encaminhadas à perícia.

Este era o décimo quarto caso de uma figura pública brutalmente assassinada em pouco menos de um ano, e era a terceira em cinco semanas, ou seja, a agenda estava ficando apertada, assassinos que matam com maior frequência estão mais propensos a erros, ou assim ele pensava, tamanha era a simplicidade deste assassino, que simplesmente não pareciam haver provas. Ele simplesmente vinha, e matava.

Esse assassino já havia causado duas demissões no departamento, outros detetives, brilhantes, que simplesmente não conseguiam encontrar traços do criminoso, um deles se suicidou depois de ser despedido. O detetive Pedro não acreditava ser mais competente que seus amigos que falharam, e o relógio estava correndo, o "Justiceiro", como já era conhecido na mídia, havia feito sua terceira vítima desde que Pedro ficara responsável pelo caso.

Pedro ainda enfrentava o questionamento moral, estaria este homem fazendo um bem a população geral? E se esse "Justiceiro" estivesse certo... Como Pedro ficava nessa história? Protegia os corruptos? O que o diferenciava de um dos capangas dos Deputados?

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