segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Memória

- E então Balash, o que queria me dizer? Perguntava Aoshi, no terraço do seu castelo, o único lugar com iluminação.

- Queria te agradecer mais uma vez por me informar sobre essa nova ameaça, mas também queria lhe dizer que vou lutar contra ela.

- E vai perder. Disse Eusakrates.

- Talvez, mas vou morrer tentando. E não guardarei qualquer remorso disso.

- Senhor Balash, não tens assuntos inacabados, coisas que precise resolver, ainda, aqui na terra? Por que não aproveita o pouco tempo restante para isso.

- Eusakrates, é esse o seu nome, correto? Perdi minha esposa, a única coisa que me importava nesse mundo nas mãos da horda, destruí a horda, logo, minha luta é pelo meu povo e por meus amigos, que também lutam.
Subitamente algo passou pela cabeça de Aoshi. Eusakrates percebeu, mas não comentou nada, enquanto Balash ainda falava.

- Belerofon e Vlad estão neste momento tentando encontrar uma forma de derrotar a ameaça, se não for possível, ao menos retardá-la.

- Balash, tem alguma ideia de como posso ajudar?

- Aoshi, você tem um exército de mortos vivos, e uma das mais poderosas forças de combate de Gaia, espero que se nada mais dê certo, que você possa ao menos retardar o inimigo. Como você mesmo me disse, acho que a primeira coisa que ele vai fazer é ir ao encontro do seu velho amigo, para terminar o que começou tanto tempo atrás.

- Conte comigo. Eusakrates sorriu e olhando para o amigo, perguntou.

- O que lhe fez mudar de ideia tão subitamente?

- Sete pessoas, cujos destinos estão ligados ao meu.

- Sete? Perguntou Balash.

- Sim, mas isso é assunto para quando o problema estiver resolvido. E você, Balash, o que vai fazer?

- Tenho uma ideia, muito arriscada, mas talvez funcione. Vou até Shamrock, tentar um acordo com a criatura que lá hiberna. Lhe tirarei do estado em que se encontra, desde que destrua seu inimigo e vá embora.

Eusakrates, com os olhos arregalados questionou com a voz alterada.

- Ah, talvez isso seja a resposta mesmo. Ao invés de termos uma criatura de poder imensurável sobre a Gaia, teremos duas. Aoshi, isso é uma péssima ideia, sugiro que convença seu amigo disso.

- Como se fosse possível convencê-lo de algo. De qualquer forma, acha isso prudente, Balash?

- Não critico a opinião do senhor Eusakrates, ainda mais sabendo que ele lidou diretamente com uma das ameaças, mas, situações extremas pedem medidas extremas.

- Concordo, o que temos a perder? Se uma delas acordar apenas, teremos o extermínio de toda a vida em Gaia, se ambas acordarem, teremos o extermínio de toda a vida em Gaia.

- Entendo. Realmente, olhando por este ângulo.

- Parte quando para Shamrock? Perguntou Aoshi.

- Agora, só vim para buscar teu apoio. Agora que já o tenho, vou em frente.

- Perfeito. Vá em paz amigo, e faremos o que for preciso para derrubar esta criatura.

Balash cumprimentou ambos, e saiu.

- Carismático, seu amigo.

- É, ele é tão justo que chega a chatear, as vezes.

- Eu ouvi isso! Gritou Balash enquanto descia as escadas.

Aoshi, com a mão no queixo, parecia pensar em algo.

- Por que acho que o amigo teve uma ideia?

- Por que eu tive. Se me der licença, vou a torre, estudar algo, mais tarde precisarei da sua ajuda.

- Mas agora não?

- Não, não, prefiro estudar sozinho.

- Entendo, vou ao oceano, para ver a quantas anda o retorno do Mestre.

- Perfeito, só não se arrisque amigo, afinal de contas, estamos tentando contornar a situação e não desistir dela.

- Fique tranquilo, amigo, estarei no meu habitat natural, é onde "funciono" melhor. Disse Eusakrates desaparecendo no ar.

Nathan cruzava o pátio do castelo correndo, quando ouviu.

- Senhor Nathan. Era Heinz.

- Ah, olá Heinz. Pois não?

- O Senhor Balash saiu, pediu  que o senhor continuasse se preparando contra a ameaça da melhor maneira que pudesse. Disse ainda que ele mesmo estaria em viagem, e que provavelmente não o veria até a chegada do problema.

- Hum, entendo. Fugiu?

- Não, não, disse que ele próprio talvez tivesse uma alternativa para eliminar a ameaça. E meu mestre não é covarde.

- Ah sim, perdão Heinz, não quis ofendê-lo.

- Sem problemas, senhor.

- Mais alguma coisa?

- O senhor Belerofon passou ainda há pouco apressado, mas acredito que já tenha deixado o reino. Aparentemente, também com uma solução para o problema.

- Nossa, de repente todos acharam uma solução.

- Temo que não seja tão simples, senhor. Acredito que este problema tenha apenas uma solução, todas as demais falharão, ou apenas com o acerto de todas, veremos o dia de amanhã. Infelizmente não posso apontar a correta, mas certamente demandará sacrifícios.

Nathan, intrigado pela quantidade de informação pertinente ao caso que Heinz detia, ficou em silêncio, apenas fitando o homem a sua frente.

- Senhor, sei o que se passa em sua cabeça. Como um cego pode saber tanto? Lhe prometo que um dia conversamos abertamente sobre isso, mas agora não, agora o senhor precisa alertar o senhor Aoshi do perigo que corre.

Nathan espantando perdeu a calma.

- Como diabos pode saber disso, Heinz?! Se descobri ainda há pouco.

- Isso não é relevante agora, o que é relevante, é como levaremos o senhor a Janen antes do anoitecer. O rei Balash saiu com Hitan antes, então talvez tenhamos que apelar para uma montaria menos convencional.

- Hum?

Belerofon de cócoras, se contorcia e vomitava.

- Vomite mesmo, rapaz. Coloque tudo pra fora, é algo muito comum no primeiro teleporte.

- Podia ter avisado. Disse entre um e outro refluxo.

- Olhe só, parece que chegamos bem a tempo do espetáculo de abertura.

O nascer do sol a beira da praia de Ashram era ofuscado pela enorme criatura que surgia no horizonte, da mesma forma que a água do mar recuava.

- Óbvio. Disse Subba, observando o oceano recuar. - Essa criatura devia ocupar uma enorme cratera no fundo do oceano, que vai recuar muito. Paisagens inteiras vão mudar devido ao afastamento do mar.

Belerofon ainda tentava se recompor quando viu pela primeira vez o eclipse, criado pelo surgimento da criatura.

- Carambolas. Como diabos vamos matar essa criatura?

- Não vamos. Respondeu Subba, calmo como nunca.

Balash cruzava os portões de entrada da grande fortaleza no centro de Shamrock em velocidade surpreendente. O sol ainda não estava no topo do céu quando chegou a entrada da mina, sendo que havia saído do palácio de Janen no início da manhã, com o sol nascendo.

Então lembrou.

- Diabos, o caminho todo foi obstruído. Então encheu os pulmões e gritou desesperadamente.

- Mahdoton. Eu quero lhe ajudar. E esperou, como se algo acontecesse. Nada aconteceu, silêncio total.

- Seu inimigo pode estar levantando no mar neste exato momento. Ainda nada, então, entre o piscar de olhos e o abrir, se viu levitando em um mar de escuridão.

Então um par de olhos apareceu a distância. Balash não podia precisar a distância correta, mas imaginava que não estivesse perto, já que as dimensões daquele lugar pareciam infinitas.

- Humano, volta a minha presença para me alertar do retorno do meu inimigo. Por que? Deseja poder? O que quer? Disse a voz poderosa.

- Paz. Chegou aos meus ouvidos que seu inimigo deseja o fim da vida em Gaia. Eu desejo apenas paz, vim lhe avisar para que o primeiro ataque parta daqui, e após sua vitória, que deixe nossa terra, em paz.

- Hum. Respondeu a criatura na escuridão. - Ainda não tenho a plenitude dos meus poderes. Quanto a sua proposta. Aceito, não tenho qualquer interesse em sua raça, ou seu planeta.

Então tudo começou a tremer, e enormes rochas passavam por perto de Balash que foi transportado para o topo de uma das montanhas que cercavam Shamrock.

Então viu enormes rachaduras correndo por toda a floresta. Rachaduras que pareciam engolir a floresta e então, algo começou a surgir debaixo delas, sem forma bem definida, principalmente por toda a poeira levantada, a criatura parou, de pé, com traços humanoides e diversos quilômetros de altura.

Longe dali, Aoshi, no topo da maior torre do castelo de Janen, parecia trabalhar em algo.

- O que está fazendo, rapaz?

Aoshi virou.

- Eusakrates, perfeito. Nem precisei chamar. Preciso da tua ajuda.

- Para que, exatamente? Perguntou Eusakrates observando o equipamento que era montado por Aoshi.

- Preciso de um pedaço de vidro, mas não é qualquer vidro, é claro. Preciso que você vá ao deserto de Alrach, na fronteira leste de Akatosh, e crie esse vidro pra mim. Disse entregando um pedaço de papel com algumas anotações, e então continuou. - Temos pouquíssimo tempo, velho amigo. Me consiga isso. Ah, não preciso explicar como criar um vidro, não é?

- Sério, amigo? Me subestimando desta forma. Já volto com seu vidro. Eusakrates desapareceu da frente dos olhos de Aoshi que continuava trabalhando e surgiu em Akatosh, no meio do deserto.

- Ok, preciso de uma tempestade elétrica. Levantou ambos os braços e pesadas nuvens se formaram, não demorou muito para que o forte vento começasse a soprar.

"Existem poucas coisas mais poderosas que uma tempestade no deserto de Alrach. Tempestades nos desertos já costumam ser muito mais intensas que no restante do reinado, mas em Alrach, existe um agravante. Independente da tempestade, nunca cai água, apenas raios.

Deve existir algo sobre o deserto de Alrach que faça com que as tempestades sejam tão intensas."

Relatório sobre o deserto de Alrach - Agência de Inteligência de Azhael - Autor Desconhecido.

Eusakrates teve que se transportar dali antes que a efetiva tempestade começasse, e só retornou depois de uma hora.

- Impressionante bioma, independente da força da tempestade, o céu azul e as gigantescas dunas continuam no mesmo lugar. Disse Eusakrates descendo na areia.

Colocou ambas as mãos sob a areia e logo encontrou algo, usou de toda a sua força para levantar o enorme pedaço de vidro, que tinha diversas vezes o tamanho de uma casa.

- Para que Aoshi precisa disso? Se perguntava a criatura. Sabendo que não teria qualquer resposta, parado ali no meio do nada, Eusakrates se transportou de volta a torre de Janen, com o enorme vidro.

Quando chegou a torre, viu que Aoshi já tinha um enorme suporte para o vidro.

- Eusakrates, bom te ver velho amigo. Bem a tempo. Coloque-o aqui. Disse Aoshi apontando para dois engates laterais.

- Uma lupa? Se perguntava Eusakrates.

Belerofon, na areia do que antes era a praia de Ashram via a imensa criatura flutuando em sua direção.

Então olhou para o lado e viu Subba, que de cócoras, parecia reunir todas suas forças, ia perguntar o que seu deus fazia, mas então ouviu.

- Garoto. Corra, enquanto tem tempo.

- Mas...

- Mas nada, Belerofon. Corre.

Belerofon, mesmo relutante, deu as costas e correu, o mais rápido que suas fortes pernas podiam aguentar, pois sentiu o que seu deus, e amigo, ia fazer.

Então um estampido.

Belerofon, sabiamente continuou correndo, aumentou ainda mais sua velocidade. E então sentiu a onda de choque que o arremessou a centenas de metros dali.

Nathan subia a escadaria correndo o mais rápido que podia, então viu de súbito um homem que polia um enorme vidro, e alguns metros a sua frente, uma criatura de manto azul marinho. Apontou para o homem e perguntou.

- Aoshi?

- Sim?

- Sou eu, Vlad. É uma longa história. Essa criatura está lhe traindo.

Eusakrates sorriu e quando virou na direção de Aoshi para debochar do louco que os interrompia, sentiu a lâmina atravessando suas escamas e seus órgãos internos. A poucos centímetros dele, estava Aoshi.

- Não achou que eu saberia, certo?

- Mas como? Sussurrou Eusakrates com a pouca força que lhe restava.

- Quando alguém é traído da forma que eu fui, anos atrás, a gente sabe identificar um traidor, quando o vê.

Eusakrates fechou os olhos, e caiu.

- Você já sabia? Perguntou Nathan.

- Sim, já há anos suspeitava, mas precisava dele. A cada nova ameaça, uma maior que a anterior, precisei das habilidades desta criatura. Nem imagina o problema que teríamos em mãos se você tivesse chego uma ou duas horas antes.

- Por que.

- Por que minha arma jamais ficaria pronta. Disse Aoshi apontando para o enorme espelho e a pequena estrutura por de trás deste. Mas e você, como soube?

- Em um antigo livro perdido na biblioteca de Fergus, essas criaturas são os olhos do Mestre na terra. Tudo o que fazem é instrução do tal Mestre.

- Esperto garoto, obrigado pela ajuda. Depois teremos tempo de conversar sobre o seu retorno, Vlad, agora preciso da sua ajuda.

- Claro, apenas, me chame de Nathan.

- Como preferir.

Nathan estava surpreso sobre a aceitação que tivera com aquele homem.

- Prioridades. Este homem sabe das suas. Pensou ele.

- Nathan, me traga o corpo deste traidor, rápido. Coloque-o aqui. E não se espante com o que verá. Dê uns dez passos para trás.

- Claro.

Aoshi então começou um estranho ritual, logo o corpo da estranha criatura deitada a sua frente, logo se desfez em uma esfera de luz, e logo diversas outras surgiram por trás da mesma.

Aos poucos, os soldados mortos ao redor daquela torre, e por toda Janen, por quem Nathan tivera tanto trabalho para passar, começaram a evaporar, enquanto esferas de energia saíam de seus corpos.

- Que diabos você está fazendo Aoshi?

- O que Eusakrates nunca percebeu é que não levou uma alma sequer em nossos acordos. A energia vital é fácil de ser retirada, ou recolocada, o que mantém uma essência é a alma da pessoa. Por isso meus soldados estão mortos, mas agem como vivos. E a energia de uma alma é muito superior a energia vital, só consegui enganá-lo devido a alta quantidade de "almas" que negociávamos.

- O que você fez com as almas deles, Aoshi?

- Mantive neles, até agora. Todos os soldados haviam desaparecido e suas almas vinham até Aoshi. - Mas infelizmente precisarei delas, e da minha também.

- Como assim? Vai se matar?

- O feitiço demanda um sifão.

- Deixe que eu faço.

- Nathan, seu corpo é um amontoado de remendos, jamais aguentaria o processo. Adeus, velho amigo.

Aoshi então desapareceu, se tornando uma pequena esfera de luz que sugava as demais, ao redor, e então, passava-as pelo enorme vidro a frente, fazendo com que formassem uma enorme torrente de energia que em um segundo implodiu toda a torre e cortou o caminho em direção ao sul.

Belerofon assustado, levantou de súbito e cuspiu a areia que ainda havia em sua boca, então virou na direção de onde estava, ainda há pouco.

Em meio a poeira, viu Subba, ajoelhado. Cabisbaixo.

Olhou para cima e viu a criatura flutuando com um pequeno buraco em sua couraça e diversas rachaduras. Então viu a luz vermelha se formando no que parecia ser o centro da criatura. E então, como um raio que se projeta entre a terra e o céu, ouviu o grito de Subba. E o estampido.

- Não! gritou Belerofon com todas suas forças. Então viu luz parecida se formar sobre a sua cabeça, provavelmente seria o próximo. Seria aquela criatura realmente indestrutível? Um Deus mal apenas conseguiu arranhar a sua couraça, realmente muita arrogância dele e de seus amigos em pensar que poderiam fazer algo.

Então ouviu algo como um assovio, e uma torrente de energia que vinha do norte, e atingiu uma das rachaduras na couraça da criatura, saindo do outro lado e continuando no horizonte.

Então o que pareceu um rugido e uma enorme estrutura de metal se contorcendo, e então a explosão. Belerofon logo levou as mãos a cabeça, aquela porcaria toda ia cair, e seria sobre sua cabeça.

Então algo conteve a queda.

Do topo das montanhas de Shamrock, Balash ouvia os ruídos em meio a enorme nuvem de poeira que se formava a sua frente, devido ao levante de Mahdoton, então o guerreiro ouviu a voz que causou avalanches em quase todas as montanhas, menos na que ele estava.

- O que?! Quem ousou derrotar meu inimigo? Esta presa era minha. O acordo foi cancelado, inseto. Seu mundo arderá em chamas agora. Então silêncio.

Balash não ouvia mais nada vindo de dentro da nuvem de poeira, então, conforme a poeira baixava, viu que a criatura estava rodeada de terra e neve.

- Mas que diabos.

- Não, jovem guerreiro, nem perto. Disse a voz feminina. Balash virou e viu, era a mulher de vestido azul escuro que o ajudou a salvar Fergus, anos atrás. - É a nossa mãe.

- Nossa mãe?

- Gaia.

Balash tornou a olhar para criatura e então percebeu, o que rodeava a criatura, pareciam imensos dedos, que apertavam cada vez mais o "conteúdo".

- Por que só agora ela resolveu se envolver? Perguntou Balash, tentando fechar a boca para falar, mas era simplesmente impossível.

- Normalmente as razões de algo tão superior são infinitas, não temos como entendê-las, mas aqui o caso é relativamente simples. Ela perdeu seu filho preferido. E acabou simpatizando por vocês quatro e todo o empenho que colocaram em salvar toda vida nela. Ela achou que vida como as de vocês mereciam ser salvas.

- Uau. Disse Balash, não conseguindo acreditar na honra que tiveram, e na honra que tinha em presenciar tal momento. Então ouviu a poderosa voz.

- Suma daqui, e nunca mais volte. Se fizer assim, sobreviverá. A voz era tão mais poderosa que qualquer coisa que Balash já havia ouvido. Tão superior a da criatura presa, que as montanhas ao redor dali simplesmente se desfizeram, Balash só não foi soterrado porque Esaelphen o agarrou pelo braço e o manteve flutuando.

O silêncio que se seguiu tomou conta do ar. E então.

- Nunca, jamais conseguirá me destruir... Balash e Esaelphen apenas viram a nuvem de sangue negro que se espalhou pelo ar, quando a gigantesca mão se fechou, sem qualquer dificuldade.

Na praia, Belerofon olhava para cima e via a enorme criatura ainda flutuando.

- Será que tanto sacrifício fora em vão? Será que esse bastardo não terá morrido? Questionava Belerofon com lágrimas nos olhos e o coração apertado.

- Não, ele morreu sim. A um custo muito alto, mas morreu.

Belerofon baixou o olhar lentamente e viu uma mulher, feita completamente de areia, à poucos metros a sua frente.

- Achei que, já que meu filho se sacrificou por sua causa, que sua morte não deveria vir tão em vão. Pode ficar tranquilo que essa coisa não cairá sobre a sua cabeça.

Belerofon não conseguia falar nada, aquilo que estava a sua frente era ainda mais poderoso que o destruiu Subba.

- Imaginei que fosse ficar sem palavras. Queria apenas me certificar de que você valia o sacrifício.

Belerofon se jogou de joelhos no chão, soluçando de tanto chorar e pediu.

- Por favor, me perdoe, se soubesse o que ele ia tentar, jamais teria pedido ajuda.

- Eu sei, meu jovem. Era da essência dele, não podia evitar uma briga. E como se apaixonava por tudo, vivia brigando com tudo e todos que ameaçassem quase que qualquer coisa no mundo. Disse a mulher sorrindo.

Belerofon apenas chorava.

- Garoto, não chore mais, viva ao seu limite, como ele viveu. Honre a vida dele, lembre por que ele morreu. Me prometa isso.

Belerofon colocando um tímido sorriso no rosto, levantou a cabeça e disse, entre soluços.

- Prometo, prometo viver como ele viveu.

A mulher mantendo o sorriso no rosto disse.

- Ótimo, posso ir em paz então. Mas antes te deixarei um presente, já que gostei de você.

Então a mulher se desfez, assim como a criatura acima da sua cabeça, o pó que restou da criatura, voou se espalhando pelo mar.

- Para onde gostaria de ir? Posso lhe transportar para lá já que aqui não resta muito mais para você fazer.

- Ahn, bem, sabe que nem sei.

- Uma sugestão então. Belerofon, seu amigo, se encontra a uma praia do sul, que também contou com intervenção da nossa mãe. Que tal?

- Me parece bom, se não for muito incomodo. Mal piscou e viu Belerofon, ainda boquiaberto, sentado na areia, olhando para o oceano.

Balash sorriu, imaginou o que o amigo teria visto para ficar naquele estado, então chegando mais perto, disse.

- Aposto que vi algo mais impressionante que você. Belerofon virou lentamente, os olhos inchados de tanto chorar.

- Duvido.

Balash sentou ao lado do amigo e em silêncio ambos ficaram olhando para o horizonte.

Em Janen, Nathan empurrava uma rocha com o peso de um rinoceronte de cima de suas pernas e se levantava em meio aos escombros do castelo. Ao seu redor, a destruição.

Não havia sobrado nada além de escombros e rochas do, antes imponente castelo. Nathan, sobre uma pilha maior de escombros olhava para o sul, contemplava a enorme vala aberta pela rajada de energia que foi disparada da torre principal. Da alma de Aoshi.

O silêncio depois da explosão de energia, o grito das milhares de almas sendo ceifadas em um instante, incluindo a de Aoshi e demolição do enorme castelo deixaram Nathan um pouco surdo, por isso ele apenas sentiu o cheiro do estranho se aproximando, um cheiro diferente do que havia sentido até então. Algo realmente errado.

Virou de súbito e viu.

- Algum problema? Era Aoshi, que ao pé da pilha de escombros, encarava Nathan.

- Você sobreviveu! Mas como?

- Era um risco que eu precisava correr. Mas sinto como se minha alma tivesse sido rasgada, e apenas parte dela estivesse ainda dentro de mim.

- Não sabia que se podia dividir uma alma.

- Nem eu. Respondeu Aoshi se aproximando.

- Mas algum dano físico? Sente dor em algum lugar?

Aoshi passou por Nathan.

- Não, nenhuma dor. O que achou do feitiço arma? Nathan virou para o sul e viu mais uma vez a enorme vala criada.

- Impressionante, mas como fez isso?

- Lembra que lhe falei que precisaria de um sifão?

- Sim. Uma alma que servisse como funil para as outras, certo?

- Exatamente. E lembra da diferença entre dar a alma ou a energia vital?

- Sim, se você manter a alma, mantém a personalidade, se manter a energia vital, mantém o corpo físico.

- Exato.

Nathan então sentiu o poderoso golpe na nuca e caiu para frente.

- Acontece que como tenho os fragmentos de Esaelphen dentro de mim, já mantenho o corpo físico mesmo sem energia vital, então o que me foi sugado, foi a energia vital e parte da alma. A parte boa dela, velho amigo.

Aoshi, fitou o corpo deitado no chão, e com um pisão no mesmo lugar onde havia aplicado o golpe anterior, esfacelara a espinha de Nathan, partindo medula e artérias com apenas um golpe.

- Agora que sei que este feitiço funciona, Gaia é a próxima.



Bom pessoal, acreditem ou não, esse é o fim do primeiro livro... Agora é buscar revisão ortográfica, já que deve ter cagadas as pampas, fazer algumas alterações, registrar e correr atrás de editora... Se alguém aí conhecer alguém que conheça alguém que já tenha tido um caso com alguém, irmão de alguém que possa ajudar no processo... Deixe aí nos comentários, junto com quaisquer impressões que serão muito bem vindas...

Abraços e nos vemos no segundo livro que deve começar... Hum... Logo, já que também quero saber o que acontece com esse pessoal.

Guilherme

Um comentário:

  1. Bah mas é mto loco esse Aoshi heuheue...mto loco esse final, mas massa...vamo te que esperar o segundo livro então heuheue

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