segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Poder em Gaia...

Ulrach estava morto. Aoshi e Belerofon haviam deixado o grupo. Restava a Vlad, Imoneph e Balash, o novo rei de Fergusson, salvar o reino das forças do primeiro inferno. Não entendeu nada? Leia 4 Vidas em Gaia, Vidas em Gaia e então Poder em Gaia. Todo o material está na barra abaixo do título do blog. Espero que goste.


Pulsos

Já havia dois invernos desde que o monstro de fogo invadiu o palácio de Fergus e assassinou o rei Ulrach, a frente de Balash e Imoneph. Em todo este tempo, nenhuma menção as criaturas de fogo. Nem por cidadãos de Fergusson, ou reinos vizinhos, ou mesmo mercadores viajantes.
Alguns começavam a desconfiar das reais intenções de Balash e Imoneph. Teria sido aquilo tudo um plano dos amigos de infância para usurpar o reino das mãos do velho rei?

Essas dúvidas caíram por terra quando foi avistada a distância o que, a primeira impressão, era um incêndio de grandes proporções no horizonte, mas quando os rastreadores de Fergus não retornaram, Balash começou a suspeitar.

- Deixe-me ir, velho amigo. Disse Vlad, em uma manhã. - Sabe que tenho as habilidades necessárias para me levar ao problema e me trazer de volta. De que adianta continuar mandando homens de poucos invernos?

Balash, por mais que prezasse a amizade de Vlad, e tivesse medo em arriscar a vida do amigo, lhe disse.

- Sim, preciso que você vá, embora isso não me agrade em nada. Pegue a minha montaria, velho amigo. Hitan Guruh te trará de volta. Vlad abraçou o velho amigo, como se fosse a última vez, e disse.

- Aquele pangaré vai gostar tanto de dar uma volta comigo que nem vai querer saber de você depois.

- Espero que sim. Respondeu Balash, sorrindo.

Vlad deu as costas e saiu. Quando chegou aos estábulos reais e viu seu cavalo, um belo Hollow Neck, das florestas do norte, disse.

- Argo, me desculpe, mas hoje andarei com outro amigo. Hitan, está pronto?

O cavalo negro relinchou e deu um passo a frente.

Vlad abriu a porteira, e com a sela em mãos, aprontou a montaria. Mal subiu as suas costas de Hitan e sentiu o baque da arrancada do animal. A força era tamanha que Vlad quase caiu da sela, e ele se gabava de ser um dos maiores cavaleiros de Fergus.

Não demorou até cruzasse os portões de Fergus, e então a distância até o cruzamento de   Saynorath, e depois o bosque de Basforath. De trás de uma enorme árvore, Vlad observava, o incêndio de grandes proporções ao horizonte, as imensas bolas de fogo que subiam aos céus.

- Observe bem meu amigo. Vlad virou mais que depressa, conhecia aquela voz. Era Belerofon.

- Meu amigo, o que te traz a mim nessa hora tão, complicada?

- Vi o amigo cavalgando nessa direção, enquanto me preparava para entregar uma mensagem a Ulrach, em Fergus. Mas a sua montaria era tão rápida que não consegui lhe alcançar antes de chegar ao bosque.

- Sim, Balash me emprestou Hitan, a montaria dele. Aliás, Ulrach foi assassinado por um emissário dessas criaturas de fogo. Balash, é o novo rei de Fergusson.

- O que?

- Sim, isso mesmo.

- Diabos. Balash virou rei.

- Sim, e um bom rei. Ao contrário de Ulrach, nos últimos dois invernos, Balash só fez preparar o reino contra essas criaturas de fogo. Disse Vlad, confiante.

- Vlad, observe bem o horizonte. Veja que não é um mero incêndio que se alastra. Preste muita atenção, e me diga que Balash preparou o reino de forma eficaz.

A face alterada de Belerofon parecia bem colocada, pois após olhar mais detalhadamente o horizonte, Vlad percebeu o que parecia ser uma língua de fogo, que cada vez que passava pela terra, ampliava o alcance das chamas.

- Que diabos é aquilo, Belerofon?

Belerofon, sem desviar a atenção do horizonte, respondeu.

- O primeiro inferno, meu amigo. O primeiro inferno.

- Como diabos lutamos contra aquilo?

- Aoshi.

- Aoshi? Você o encontrou?

- Sim, ele pode ser a salvação de Fergusson, mesmo após custar todas as vidas de Janen. Um rei vivo em meio a um reino morto salvando um rei morto de um reino vivo. Irônico.

- Do que está falando, Belerofon?

- Aoshi tem um exército. Não é um exército convencional, mas são soldados, portam espadas e, provavelmente, lutarão ao nosso lado.

- Mas de que nos adianta, Belerofon, reduzirmos as casualidades de um reino em troca das de outro. Falando nisso, como diabos Aoshi conseguiu um exército? E que história é essa de reis mortos e vivos?

- Vamos voltar a Fergus. Lá conto tudo o que me aconteceu nesses anos que não nos vimos, e o que aconteceu a Aoshi.

Balash estava no topo do castelo de Fergus, dando comandos aos Tarkins sobre como defender de forma eficaz a fortaleza, e diminuir as casualidades entre civis. Então ouviu a voz vinda de trás.


- Saudações ao novo rei de Fergusson. Conhecia a voz, então, já com um sorriso no rosto, virou.

- Olá amigo, bom lhe ver nessa hora negra. Vlad vinha ao lado de Belerofon.

- Balash, preciso lhe colocar a par das ameaças que enfrentam.

- Certo. Balash sinalizou que gostaria de ficar sozinho com seus companheiros, então seus generais, os Tarkins, saíram. - Pode falar, amigo.

- A ameaça não pode ser derrotada por apenas um exército, amigo. Depois de encontrar Aoshi e descobrir o horror do que fez quando nos deixou, antes que pergunte, já chego lá. Fui buscar maiores informações sobre os boatos dos monstros de fogo, ou seja lá como estão chamando o inferno por aqui.

Balash e Vlad ouviam atentamente.

- Amigos, eles possuem um exército muito diferente do convencional, mas ainda assim, um exército. Soldados, arqueiros, ou o que equivalem a arqueiros, armas de sítio e várias aberrações de dar trabalho a Behemot.

- E o contingente? São muitos inimigos? Perguntou Balash.

- Não é sobre quantidade meu amigo, e sim qualidade. Cada soldado deles vale por três humanos, no mínimo. Todas as forças do inimigo estão em chamas, cada soldado, cada peça de artilharia, tudo está sempre em chamas.

- Como assim?

- Eu também não consegui entender direito quando vi com meus próprios olhos, mas se resume a isso. Se chover durante o ataque deles, talvez tenhamos uma chance, talvez eles enfraqueçam. Senão chover, seremos dizimados.

- De onde eles vem? Do extremo oeste?

- E os reinos por onde passaram, não obtiveram qualquer sucesso?

- Sim, eles vem do oeste. Cruzaram a Passagem de Jurag já há muito tempo, vinham se movendo lentamente, derrubando um reino próximo, de cada vez. McDollan foi o último. Então as forças se dividiram entre Aoshi e você.

- Sobre Aoshi. O que ele fez de tão horrível, que você mencionou antes?

- Amigos, Aoshi realizou um ritual, não entendo bem como ele o fez, mas ele transformou cada cidadão de Janen em um morto vivo. Estas pessoas continuam vivendo suas vidas como se nada tivesse acontecido, sem perceber que suas carnes podres e o odor de morte que exalam são horríveis.

- Pelos deuses. Sussurrou Vlad, aterrorizado pelos atos do amigo.

- A parte disso, ele mantém sua consciência, disse saber da existência da ameaça e tem um plano para se defender, ordenou que eu viesse até aqui e avisasse vocês da proximidade do inimigo, e lhe ajudasse a controlar o problema, disse que no segundo dia de combate, viria ao nosso apoio.

Balash recostou-se na mureta do castelo e boquiaberto suspirou.

- Pelo que vi da movimentação inimiga, acredito que atacarão amanhã. Acredito que durante a noite, para ampliar o efeito do horror nos civis.

- E a nossa única esperança é, Aoshi? É isso que você diz? Um genocida. Um bastardo que aniquilou a população de uma cidade. Disse Balash, furiosamente, ao que Belerofon respondeu.

- Não são essas as perguntas que deve se fazer, amigo. A pergunta que deve se fazer é, está disposto a o que para salvar Fergusson?

Os três amigos passaram então a orar por chuva, e para que as medidas defensivas, implantadas por Balash já há algum tempo fossem o suficiente, senão para derrotar o inimigo, para atrasá-lo, até que Aoshi chegasse com o reforço prometido.

E naquela noite, os sinos da milicia tocaram insanamente, pois o exército inimigo não esperou mais um dia, e partiu para o ataque naquela noite.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Publicidade