terça-feira, 21 de agosto de 2012

Poder em Gaia...

Após a vitória sobre a horda, o Rei Ulrach dava um jantar especial, como que oferecera aos bravos heróis pouco tempo antes.  Não entendeu nada? Leia 4 Vidas em Gaia, Vidas em Gaia e então Poder em Gaia. Todo o material está na barra abaixo do título do blog. Espero que goste.

Separação

O suntuoso jantar não parecia ser servido à menos de dez pessoas, mas aquela era uma ocasião realmente especial, a horda havia sido desmembrada. Mesmo a ameaça do comandante de uma nova raça de ogros inteligentes como ele não seria lembrada naquela noite.

Depois do jantar, enquanto faziam a digestão, Aoshi comentou.

- Amigos, gostaria de anunciar que estou de partida.

O silêncio tomou conta do aposento.

- Como assim?

- Exatamente assim, já está na hora de voltar a minha terra e devolver alguns... Aoshi procurou a palavra correta. -... Favores.

- Hum, entendo, e onde fica?

- Sim, também tenho interesse em te ajudar Aoshi.

- Vlad, Belerofon, agradeço a vocês, amigos. Mas este é um assunto pessoal, a ser resolvido por apenas um homem.

Aoshi então levantou da mesa e disse.

- Com a sua permissão, meu rei.

- Claro milorde Aoshi, mas não deseja ao menos passar a noite?

- Perdão milorde, mas é um assunto de urgência que devo tratar, então vou sair agora mesmo. E vocês amigos, nos vemos daqui há algum tempo.

Sem entenderem absolutamente nada, os heróis esperaram por muito tempo pelo retorno do amigo.

Durante o inverno seguinte, foi Belerofon quem decidiu que era a sua vez de deixar o grupo.

- Nossa vida já foi mais movimentada, amigos. Vou atrás de Aoshi, ver se descubro o que ele anda aprontando.

- Ora essa, Belerofon. Por que não fica conosco? Sei que a cidade não é seu habitat natural, mas por que não se instala no bosque de Farasthur, ao sul? Sugeriu Balash.

- Sim, Belerofon, por que não o faz? O bosque pode lhe suprir de comida por quanto tempo quiser ficar sozinho e fica próximo o suficiente para irmos ao puteiro e a taverna vez que outra. Disse Vlad tentando convencer o amigo.

- Já havia pensado nessa alternativa, mas preciso de novos ares. Meu machado também.  Sem falar que estou curioso sobre Aoshi. Já faz mais de ano que não ouvimos falar nele. Vou até Janen, o reino mais próximo, ver se alguém tem notícias.

O inverno então passou por Fergus por duas vezes, e durante a terceira passagem depois da saída de Belerofon, naquela mesma mesa, o Gran Scheitz, Imoneph, prestava relatórios sobre a situação do reino.

- Meu amigo. Disse ele. - Os relatos ao oeste continuam aumentando, algo está muito errado. Pelo que um dos meus informantes relatam.

- Os monstros de fogo? Perguntou um velho Urlach, sentado na maior cadeira a ponta da mesa.

Nem de longe lembrava aquele velho guerreiro que três anos antes, recebeu os heróis de pé, como se pudesse lutar contra cada um deles. Era uma força a ser reconhecida.


Hoje, era um farrapo humano que era carregado de um lado para o outro por servas da ordem da luz, que estavam sempre prontas para o pior. Para dar uma passagem adequada ao rei que derrotou a horda.


E nessa manhã, Urlach estava ainda pior que o normal.


- Sim, meu rei. Segundo meus informantes, a cada dia mais e mais monstros cruzam a passagem de Jurag. Segundo estes mesmos homens, soldados da minha mais inteira confiança milorde, alguns monstros são inacreditáveis. Temo que não tenhamos forças para parar essa força inimiga, caso estejam vindo para cá.


Urlach tentou se ajeitar na cadeira, sem sucesso.


- Boatos, meu velho amigo, não passam de boatos. Pigarreou, cuspiu sangue, quase negro, em um vasilhame ao lado da cadeira, e continuou. - Já fazem mais de mil anos que o primeiro inferno não se pronuncia. Por que se pronunciaria agora?


- Não faço ideia, meu rei. Mas que está acontecendo, está.


Nisso a porta se abriu do outro lado do salão, Balash se aproximava.


- Bom dia, rei, bom dia meu amigo.


Ambos responderam com um sorriso no rosto, até mesmo Urlach.


- Bom dia filho. Respondeu Urlach com dificuldade.


Já fazia mais de ano que Urlach chamava Balash de filho, e "por baixo dos panos" se dizia que Balash seria nomeado regente já que Urlach não tivera filhos e o restante da familia real já havia falecido há muitos anos.


Os Gran Tarkins eram favoráveis a essa decisão já que Balash, além de jovem, era forte e inteligente.


O Gran Scheitz era seu amigo de infância e não tinha qualquer interesse.


Os rumores diziam que Urlach só não havia passado a coroa ainda por que queria ensinar tudo o que sabia a Balash.


Enquanto os três poderes de Fergusson tomavam café da manhã, ouviram uma das enormes janelas do hall abrindo, a serva da luz que cuidava de Urlach naquele turno caminhou até a janela para fechá-la.


Quando colocou a mão na abertura da janela, sentiu a mesma quente, e viu o vidro, derretido.


- Milorde Balash, Scheitz, tem algo errado aqui. Disse ela.


Então todos ouviram em milésimos de segundos o barulho de madeira sendo perfurada, depois carne, depois osso e então viram a enorme garra que atravessava o peito do velho rei.


Urlach soltou um gemido antes de cerrar os olhos, não sofreu nada.


Balash saltou da mesa já com a espada em mãos, Imoneph fez o mesmo. Ambos viram a criatura sair de trás da guarda da enorme cadeira.


Era um tipo de abutre dracônico, ao invés de carne, havia o que parecia ser carvão, algumas partes soltando fagulhas, como se estivesse em constante chama.


Balash saltou na direção da criatura e golpeou na horizontal. Sem dificuldade, a criatura tirou a garra do peito do rei morto e voou até o enorme lustre de vidro, enquanto a serva da luz atravessava o ambiente em corrida.


- Isso, humana, corra. Aproveite enquanto pode, ter esperança. Disse a criatura. Então virou na direção de Balash e Imoneph e continuou. - Não se sintam mal pelo seu governante, foi terceiro que matei sem que ninguém pudesse fazer algo.


A criatura então alçou asas em direção as janelas, Balash usou todas as suas forças no arremesso da espada que quase atingiu a besta.

Enquanto voava, com um riso diabólico na face deformada, sob a neve que caía, formava um rastro de vapor, então, o rastro diminuiu de velocidade, então de altitude, até que caiu aos pés do homem trajando um longo manto verde escuro.

Balash analisava o ferimento que matou o rei Urlach minutos antes, completamente cauterizado, mesmo que a perfuração tivesse sido em qualquer ponto do corpo, o ferimento jamais curaria, já que estaria fechado antes mesmo do "golpe" deixar o corpo.

- Eficaz. Sussurrou ele, enquanto passava a mão pelo rosto do amigo, fechando os olhos, desejando paz, na passagem. Nisso, Imoneph entrou na sala.

- Balash, os Tarkins vão se reunir nas próximas horas para discutir a sua ascensão ao trono e o que faremos contra essa ameaça.

- Sem nem darmos o descanso apropriado ao nosso rei?

- Balash, Ulrach já havia decidido como seria seu fim. Ele queria ser cremado, por mais irônico que possa parecer. Vamos cremá-lo no topo do castelo, as servas da luz já estão vindo para prepará-lo.

Nisso um homem trajando um longo manto verde escuro entrava pela mesma porta que Imoneph usara ainda há pouco.

- Senhores, perderam uma criatura de aparência detestável ainda há pouco. Tirando o capuz, o homem se revelou. Era Vlad.

- Derrubei essa porcaria ainda há pouco com uma flechada.

- Vlad, uma flechada? Perguntou Imoneph.

- Sim, sim.

- Mas o que havia de especial nessa flecha.

- Iridium. O metal dos elfos negros do norte. Foi um presente recebi há muito tempo.

- Quantas destas dispõe, milorde Vlad? Precisaremos de alguns milhões destas. Disse Imoneph. Vlad sem entender, questionou.

- Quantas mais destas terei que matar?

Balash não ouvia nada, fitava a criatura morta a sua frente e pensava na sua responsabilidade, não mais como um simples guerreiro, mas como rei de Fergusson em destruir tal ameaça.

- Belerofon, Aoshi, seria bom contar com vocês novamente, amigos.

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