quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Poder em Gaia...

Balash e os demais heróis haviam destruído, internamente, a horda. Com o assassinato do comandante das forças do norte, imediatamente as forças inimigas recuaram. Agora, os heróis conversavam sob o campo de batalha, enquanto Imoneph, que comandara pessoalmente as forças de distração, voltava a Fergus. Deixando apenas cinquenta homens sob o comando temporário de Aoshi. Não entendeu nada? Leia 4 Vidas em Gaia, Vidas em Gaia e então Poder em Gaia. Todo o material está na barra abaixo do título do blog. Espero que goste.

Ferramentas


- Para que estes cinquenta homens, Aoshi? Pretende enterrar os corpos? Perguntou Belerofon rindo.

- De maneira alguma. Pretendo pilhar tudo de valor que existe neste acampamento e levar para Fergus. As armaduras podem ser adaptadas, se não, derretidas. As armas provavelmente serão derretidas, uma vez que os humanos raramente conseguem utilizar armas de orcs, e outras raças monstruosas com maestria.

Visivelmente impressionado, Vlad elogiou.

- Ótima ideia Aoshi. Realmente ótima.

Balash desconfiado completou.

- Sabe o valor das coisas quem nada teve.

Aoshi confirmou com a cabeça, então Balash continuou.

- O que me faz lembrar, não conheço o teu passado, Aoshi. Enquanto saíamos de Shamrock em direção a Fergus, Vlad nos contou que seu irmão mais velho o deixou com os elfos de Arienthas, pouco antes de morrer, Belerofon nos contou sobre cresceu sozinho entre as montanhas de Urak-Tuu, caçando goblins para se alimentar. E eu contei sobre minha vida ao norte, e a perda da minha esposa.

Aoshi ouviu tudo isso, e então calmamente respondeu.

- É mesmo, vocês não conhecem meu passado, não é? Deu as costas e saiu.

Balash, Vlad e Belerofon se entre olharam.

- O que será que ele esconde? Quais são seus crimes? Perguntou Vlad.

- Pode até ser Vlad, mas acho que não é algo com o que devamos nos preocupar.

- Sugiro que deixemos de lado a história dele. Quando Aoshi julgar necessário, ele nos contará. Disse Belerofon, e ainda continuou. - Aoshi é uma ótima arma, e um componente importante em nosso grupo. Luta bem e é muito esperto, prevejo que ele terá valor inestimável no futuro próximo.

- Vamos voltar a Fergus então? Perguntou Balash.

Vlad, imitando a voz rouca de Aoshi, perguntou, em tom de zombaria.

- A missão é sua, Balash. O que quer fazer?

Belerofon chorava de tanto rir, enquanto se afastavam do acampamento abandonado. Entre as tendas, caminhavam os soldados, as dezenas de carroças que ainda estavam inteiras serviam de depósito. A frente delas, enormes búfalos.

Algumas horas depois.

- Senhor Aoshi, as carroças já estão prontas, falta apenas a tenda branca. Aquela no centro do acampamento.

O soldado não estava brincando, cinquenta e nove das sessenta carroças inteiras, estavam abarrotadas, Aoshi fez questão de empacotar não apenas as armas e armaduras, bem como os panos e couros utilizados em tendas, as peles, madeiras de suporte para montagem das tendas, cordas, ferramentas e tudo mais o que julgava ter o mínimo de valor.

- Perfeito, soldado. Deixem que eu levo duas carruagens de armas, e verifico a tenda branca eu mesmo. Levo o conteúdo na carroça que ainda está vazia.

- Milorde, não deseja que lhe ajudemos com isso?

- Obrigado soldado, mas cuidarei da tenda principal eu mesmo. Vão na frente, informem o rei, o Gran Scheitz e os meus companheiros que não demorarei.

- Sim, senhor. Disse o homem batendo continência. Deu as costas e saiu gritando ordens. Aoshi, tranquilamente amarrou uma carroça na outra, com diversas cordas, devido ao peso da carga. E com as rédeas nas mãos, guiou os enormes búfalos do norte até a entrada da tenda.

Enquanto andava lentamente pelo vale, olhava para os lados, marcas de fogueiras que até a manhã deste mesmo dia ainda queimavam. Buracos, ossadas de animais que provavelmente teriam alimentado a horda.

Um ou outro corvo se alimentando de uma carcaça orc, ou goblin.

Aoshi lembrou de Pedro. Queria ver o garoto naquela situação, abutres, corvos se alimentando da carcaça sem vida.

- Merda. Aquele garoto me paga.

Chegou a frente da tenda, largou as rédeas e saltou da carroça. Caminhou tranquilamente, tenda adentro, viu uma estante cheia de livros, e solto, acima de uma escrivaninha, um diário, vermelho.

Aquele livro em particular chamou a atenção de Aoshi, que caminhou até a mesa e o pegou.

Capa de couro vermelho, couro espesso, parecia praticamente um livro de capa dura, mas era simplesmente um diário.

Aoshi foleou algumas páginas, então sentou, e continuou foleando.

- Pelos deuses. Aoshi continuou ali por mais algumas horas antes de voltar para Fergus.

Atravessou os portões com duas carroças cheia de espadas, cumprimentou os guardas, e  perguntou.

- Onde deixaram a pilhagem?

Os guardas explicaram que estava no depósito militar, mais próximo ao castelo.

Aoshi seguiu o caminho.

Quando chegou ao depósito, encontrou vários soldados que ainda descarregavam e organizavam as cargas trazidas do campo de batalha, e o soldado com quem conversara, quando o sol ainda estava no topo do céu de Gaia.

- Milorde Aoshi, seja bem vindo de volta.

- Obrigado, soldado.

- Enfrentou algum problema no caminho milorde? Vejo que apenas três carroças retornaram, lembro de ter deixado uma a mais, vazia.

- Sim, deixou. E não que eu devesse lhe explicar. O homem ficou visivelmente embaraçado. - Mas a tenda branca tinha apenas lixo, sequer valia a pena carregar a terceira carruagem. Coloquei alguns itens mais valiosos, como o couro branco e algumas armas que acho que ficarão ótimas nos salões do Rei Ulrach.

- Ah sim, obrigado pela informação milorde. E perdão, não quis. Antes que pudesse terminar, foi interrompido por Aoshi.

- Eu sei que não, soldado. Relaxe. Onde estão meus companheiros?

- No castelo milorde.

- Obrigado. Aoshi deu as costas e saiu, quando já estava a certa distância, virou e grito.

- E soldado. O soldado virou.

- Milorde?

- Cuide pessoalmente para que os meus presentes cheguem ao nosso bom Rei. E eu sei cada item que trouxe, e se algum não chegar... Bem.

- Claro milorde, cuidarei pessoalmente para que cada item chegue as mãos do nosso rei.

Aoshi então saiu.

Já era crepúsculo quando atravessou os portões do castelo e iniciou a caminhada até  seus aposentos onde encontrou duas servas lhe esperando.

- O que significa isso?

- Milorde, Heinz ordenou que preparássemos um banho imaginando que o senhor gostaria de um bom banho antes do jantar de comemoração pela vitória sobre a horda que ocorrerá hoje a noite.

- Entendo, quando vocês iniciaram esse processo?

- Há pouquíssimo tempo, milorde.

- Como diabos Heinz faz isso? Como ele podia saber que eu estava retornando? De qualquer forma, vão, deixem-me.

As meninas já sabiam que Aoshi e Balash não se utilizavam dos serviços delas, então saíram sem hesitar.

Aoshi largou a espada, próxima a banheira, e então se despiu, e junto das roupas, deixou um livro de capa vermelha repousando, o mesmo que havia encontrado, horas atrás, na tenda branca.

Aoshi entrou na banheira, com o livro e tomando todo o cuidado para não causar qualquer dano ao material, iniciou a leitura.

- Nada como um bom livro. E sorriu. - Me aguarde Pedro. Me aguarde.

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