segunda-feira, 23 de julho de 2012

4 vidas em Gaia... Eu, rei

Aoshi havia, relocado o Rei de Janen, do castelo imperial, para o cemitério local, e agora, sentava no trono enquanto mudava completamente a forma de governo o reino. Para saber o que aconteceu até aqui... Clique ali no botão "4 vidas em Gaia" na barra abaixo do título do blog...



Eu, Rei


Aoshi estava de trás de uma enorme mesa de madeira de lei, a sala, suntuosa, deixaria a maioria dos imperadores do oriente com vergonha, mármore e ouro cobriam as paredes e o teto. A esquerda de quem passava pelas enormes portas de entrada da sala havia uma enorme lareira onde uma árvore inteira parecia estar queimando.



As vozes alteradas ecoavam pela enorme sala, a frente de Aoshi haviam quatro homens, os mais poderosos do terceiro círculo de Janen.


- Reduzir os recursos de manutenção das vias, e da milícia do terceiro círculo. Disse um dos homens.


- Milorde, o senhor não pode estar falando sério. Bradou o outro.


Aoshi bateu ambas as mãos sobre a mesa fazendo com que os homens arregalassem os olhos e ficassem em silêncio.


- Senhores, lhes convidei a entrar no palácio com o intuito de lhes comunicar isto. O que já o fiz. Aoshi levantou e caminhando em direção a lareira continuou.


- Tomei esta decisão pensando em manter o estilo de vida dos senhores e seus vizinhos, outra alternativa que me foi levantada em conselho era que derrubasse todas as muralhas internas do reino, deixando apenas a primeira linha de defesa de pé. Tornou a olhar os quatro e perguntou.


- Como os senhores lidariam com a inexistência das castas?


A única resposta que Aoshi ouviu foi o estalo da madeira na lareira, então continuou.


- Vivo em Janen já há mais de quinze anos, sou regente a dois destes e em nenhum momento insinuei um aumento de tributos aos senhores, ou qualquer mudança em seu estilo de vida. Não pensem que não foi por falta de sugestão, pois como bem sabem, dos meus quinze conselheiros, dez são da "plebe".


- Mas senhor...


Antes que o obeso homem pudesse continuar, foi interrompido por Aoshi.


- Não lhe ensinaram que é falta de educação interromper alguém que está falando?


Silêncio total enquanto Aoshi voltava caminhando a mesa.


- Agora, ouçam bem, prestem muita atenção pois isto será a última coisa que ouvirão sobre este assunto.


Os quatro homens, acostumados a dar ordens e serem os maiores predadores em seu habitat natural, ouviam como crianças mal criadas que foram disciplinadas havia pouco tempo. E Aoshi se deliciava com aquilo.


- Durante estes anos da minha ascensão ao poder, vi os senhores se alimentando de faisão, bebendo vinhos em suntuosas salas de jantar, as custas do trabalho da população mais necessitada da periferia. Os senhores, como abutres...


Aoshi foi interrompido.


- Senhor, acho que o senhor está equivo...


- Se me interromper mais uma vez mando lhe executar em praça pública. Disse Aoshi com olhar penetrante.


Silêncio total...


- Os senhores...


Aoshi parou e olhou cada homem nos olhos, como que os desafiando a abrir a boca.


- Como abutres, enchiam suas barrigas enquanto crianças e velhos morrem de fome e doenças na periferia. Isso acabou. Acabou essa palhaçada. Ela pode acabar por bem, com o estilo de vida dos senhores mudando aos poucos, com a maior parte do dinheiro que hoje vai para manutenção das suas belas ruas, ou o subsídio aos seus empreendimentos indo para o desenvolvimento da nossa área miserável. Ou posso simplesmente derrubar o muro que os separa da miséria e vejamos o que a população carente acha do gosto de faisão e do gosto do néctar.


Aoshi levantou de súbito, os homens quase caíram das cadeiras.


- Agora, senhores. Disse Aoshi caminhando lentamente pelo entorno da enorme mesa, claramente indo até os quatro homens.


- Peço que vão até as suas casas e reflitam, se tomei a decisão correta ou não, e quando entenderem que tomei a melhor decisão possível para um acordo entre as partes, peço que comuniquem aos seus pares, para que a transição entre os dois métodos de governo seja a mais suave o possível.


Aoshi apertou a mão de cada um dos homens e disse.


- Agora se me dão licença, tenho que resolver mais um problema de peste que está se espalhando ao norte da periferia. Provavelmente é devido a água que eles bebem...


Aoshi se aproximou dos homens e disse.


- Ela fede mais que o esgoto do terceiro círculo.


E fez cara de nojo.


Os quatro homens saíam da sala em total silêncio, atonitos pelo posicionamento do regente e sem saber como reagir, enquanto isso, passava por eles um jovem de não mais de dezoito anos.


- Chefe, chefe...


Era Pedro, um dos mais jovens tenentes de Aoshi, e aquele em que Aoshi mais confiava.


Aoshi via muito dele mesmo naquele moleque. Muito esperto, e surpreendentemente bom com a espada, era um dos poucos que podia desafiar Aoshi no reino. Por isso mesmo, foi nomeado como responsável pelo treinamento de novos militares do exército de Janen.


- Pedro, pelos deuses, quantas vezes tenho que dizer para não me chamar de chefe?


- Ahn chefe, esquece isso, gosto de te chamar assim.


- Tudo bem então, me diga, o que quer?


- Estamos com um problema em um dos paióis do leste.


Aoshi levantou de súbito.


- Nos paióis? Que diabos aconteceu?


- Ainda não aconteceu nada chefe, mas tem um louco lá dentro, que diz estar com reféns e só sai quando tiver uma conversa pessoal com o senhor.


- Qual é o problema? Garanta a segurança dele e traga ele até aqui.


- Aí que está. Ele quer que o senhor vá lá.


Aoshi tramou a cara, sabia que aquilo tinha grandes chances de dar muito errado.


Durante estes dois anos em que foi regente de Janen, Aoshi já havia sofrido sete tentativas de assassinato, três foram frustradas por seu tenente favorito, Pedro, enquanto as restantes o próprio Aoshi tratou de eliminar os assassinos.


Enquanto caminhava pelo pátio do castelo, Aoshi conversava com Pedro.


- Como é o nome deste rapaz?


- Skaarl, Jonah Skaarl.


- Nome esquisito. Do norte, correto?


- Sim.


- E o que este Jonah Skaarl faz no paiól? Pensei que a área fosse restrita a altos oficiais.


- Aí que está chefe, ele está lá dentro com um dos oficiais, aparentemente surtou já lá dentro, com um oficial.


- Hum.


Aoshi, com sua espada negra por dentro da calça, caminhou rápido por entre os guardas, chegou ao paiól, um enorme galpão onde toda a munição de artilharia e pólvora do reino era guardada. Se aquilo desse errado, daria muito errado.


Caminhando calmamente até a porta da construção, Aoshi gritou.


- Jonah. Sou eu, Aoshi, vou entrar para conversar, ok?


Não houve resposta.


- Jonah, está tudo bem?


Então Aoshi ouviu a porta sendo destrancada. Fez sinal de positivo e empurrou calmamente a mesma.


O lugar escuro tinha apenas algumas lanternas mágicas de fogo frio, que parecia dançar ao sabor do vento. Aoshi então viu, a distância, um homem loiro, amarrado a uma cadeira, mais atrás deste, um vulto segurando uma lanterna normal.


Aoshi sentiu que havia algo errado e correu na direção do vulto que abriu uma porta...


Aoshi aumentou ainda mais a velocidade...


A pessoa então sorriu e jogou a lanterna para dentro da construção... A porta foi fechada, e trancada pelo lado de fora.


A explosão pode ser vista nos vilarejos vizinhos e por três dias o sol ficou encoberto pela enorme torre de fumaça negra.

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