quarta-feira, 18 de abril de 2012

O último Pedro... Continuação...

Lembra de tudo que já aconteceu com o Pedro? Sim, continue lendo. Não? Então leia o que aconteceu anteriormente...

Pedro diminuiu cada vez mais a passada de perna, começou a se abaixar até quase rastejar, procurou pelo chão por algo que pudesse usar como arma, achou absolutamente nada... Cada vez mais tenso, Pedro atravessou os poucos metros que o separavam da enorme rocha no meio do milharal e então sentiu o estrondo, como se uma bomba atômica explodisse logo na sua frente... Pedro sentiu o calor, mas sequer sentiu as dores nas costas quando caiu feito um boneco de pano alguns metros pra trás.


A chuva gorda que caía acordou Pedro, dores pelo corpo todo, usou toda sua força para levantar os braços e viu que estavam pretos como que sujos de carvão, então levantou e viu a sua frente um grande círculo onde nenhum pé de milho estava de pé, mais próximo ao centro do círculo, os pés de milho estavam completamente tostados, e ao centro de tudo, a rocha... Acima desta, um corpo humano...


- Hum, podia jurar que esse cara estava de pé quando o raio o acertou...

Pedro, de cócoras, analisava o corpo carbonizado, a face estava completamente desfigurada, parecia estar em putrefação já há vários dias, o que era estranho, já que Pedro podia jurar ter visto essa pessoa de pé alguns minutos atrás.

Pedro se esticou, e viu a distância, postes da rede elétrica, provavelmente eram os postes que seguiam pela estrada.

Caminhou por não mais de dez minutos até que voltou a estrada.

A chuva já havia parado e começava a anoitecer, Pedro imaginou que, se havia alguma chance de ser encontrado, era na beira do asfalto.

Já fazia duas horas que Pedro caminhava sem parar pela beira do asfalto e ainda não viu uma luz sequer que não as dos postes, ao menos a chuva havia parado, pensava ele... Realmente, a chuva parou, mas a brisa refrescante que veio depois foi a melhor parte, depois de se escaldar no sol, apanhar de um milharal e (quase) ser atingido por um raio... Pedro merecia aquela brisa maravilhosa.

Pedro sentou debaixo do poste, recostou a cabeça, sentiu a luz começar a piscar, acendia por seis ou sete segundos, ficava apagada por pouco mais de dez, até gostou da luz apagada, tão logo recuperasse suas forças ia quebrar a lâmpada e tentar dormir ali mesmo, sentado...

- Dane-se, vou é ficar por aqui mesmo, se me acharem, acharam.

Nisso ouviu um ruído vindo do outro lado da estrada, a silhueta humana levantando, lentamente, sem falar absolutamente nada... Por incrível que pareça, a luz sob a cabeça de Pedro parecia não se atrever a iluminar por completo o ser poucos metros a sua frente. Pedro sentiu o cheiro de podridão no ar...

- O que você quer? Perguntou Pedro, ou ao menos pensou ter perguntado, não tinha muita certeza se a voz havia saído ou não, estava completamente apavorado, fazia três ou quatro dias que não via ninguém, exceto por um velho louco armado, um corpo no meio do pátio deste, e a última pessoa que viu era um corpo carbonizado no meio de um milharal...

O vulto começou a se mover lentamente na direção da luz... Quando mais se aproximava, mais detalhes Pedro conseguia pegar, pegou que a pessoa usava calças jeans, e pelo porte físico, era provavelmente um homem, Pedro se abaixou e catou uma pedra.

- Pode vir. Pensou ele tentando se convencer de que tinha coragem o suficiente para estraçalhar o crânio de outro ser humano com uma pedra.

A luz se apagou.

Curioso é que só assim Pedro conseguiu ver o revólver na mão esquerda da pessoa. Antes que pudesse dar as costas e entrar correndo no milharal ouviu.

- O que você está fazendo aqui, você tem que ir embora. Agora. Pedro não sabia o que fazer, era outro ser vivo, mas era outro ser vivo armado.

A luz acendeu, Pedro pode ver o rosto do homem cheio de feridas, uma gota de sangue corria do seu olho direito e havía marca de vômito ao redor da boca, a pele era pálida, muito pálida.

- Amigo, vamos conversar, eu não quero seu mal. O homem levantou a arma na direção de Pedro e disse.

- Não sou seu amigo, e também não quero seu mal, então siga o seu caminho rapaz. Mas Pedro estava exausto, precisava daquele descanso, precisava daquela brisa e não precisava, definitivamente não precisava de alguém com um revólver nas suas costas.

- Por favor amigo, estou exausto, me dê ao menos uns cinco minutos para descansar.

- Você pode não ter cinco minutos comigo rapaz.

Pedro pensou, viu que o homem não aceitaria mais um não e disse.

- Pois bem, então sigo meu caminho, se o senhor jogar essa arma no meio do milharal. O homem tossiu, se inclinou e cuspiu na pista.

- Faço melhor que isso garoto, te dou a arma, se...

- Se?

- Se você puder atirar em mim...

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