quarta-feira, 25 de abril de 2012

4 vidas em Gaia...


Belerofon era aquele cara de pavio curto... Se entregava a esbórnia tão logo tivesse a chance e não conseguia pensar mais de dez minutos a frente dos olhos... Se unia com um grupo para explorar uma masmorra... Entrava correndo na frente para ser o primeiro a atacar e o primeiro saquear.


Alguns diziam que parte disso era rebeldia com sua mãe, que fez de tudo e um pouco para que ele não saísse pelo mundo pra procurar aventura e riquezas, outros por causa de seu pai, que havia sumido tão logo viu Belerofon nascer. Os mais certos eram os que diziam que Belerofon era um dos sujeitos mais imprevisiveis a caminhar por Gaia e por isso, um dos mais perigosos.


Um pouco de coragem não faz mal pra ninguém não é? Dois grupos de mercenários inteiros com quem ele havia compactuado pereceram sob a compania do bárbaro, tudo isso devido a intempestuosidade de jovem guerreiro.


Hoje o dia fora meio pesado, então do seu jeito, Belerofon só queria um pouco de conforto, uma boa refeição, descanso e talvez um exercício físico para expurgar os males. Em seu próprio idioma isso podia ser traduzido como uma ida a pior taverna da cidade, um carneiro assado, ou quatro galinhas fritas, uma briga com mais de dez pessoas e o pernoite no puteiro. Naturalmente que a ordem não precisava ser essa.


Belerofon, sentado a frente do balcão com uma garrafa de uisque na mão e um charuto saindo do meio da espessa barba, olhava para o vazio... O prato vazio a sua frente, ao lado deste, alguns esqueletos de galinhas... Belerofon apoiava a cabeça no punho direito. Percebeu uma gota de seu próprio sangue escorrendo pelo punho, passou a mão na testa, havia um corte pequeno.


- Ei, você. Disse o anão de trás de Belerofon, que sequer fez menção de virar.


- É, eu estou falando com você, Belerofon. O que aconteceu com meu primo Balin? A cinza na ponta do charuto acendeu, Belerofon lembrou de Balin, o anão que não fazia ideia de como um ferreiro trabalhava e entendia menos ainda de geologia e mineiração... Também manuseava um machado com a mesma habilidade que um babuíno usava um mangual. Balin era um anão apenas na estética, e mesmo assim, não tinha barba, nem sequer um bigode. Era um anão completamente inconvencional. Belerofon esboçou um sorriso de canto quando lembrou do amigo. Largou o charuto no cinzeiro.


- Morreu. Disse Belerofon sem sequer virar.


- Imaginei. Como pode você sempre ser o último a sair vivo dessas campanhas? Belerofon entornou a garrafa e deixou-a sobre o balcão.


- Está insinuando algo, nanico? O anão, conhecendo a fama de Belerfon sacou o machado mais que rapidamente, sabia que se quisesse sair dali, teria que deixar Belerofon no chão.


E foi aí, neste momento de hesitação, onde o mestre anão pensou em sacar o machado que Belerfon lhe aplicou um chute debaixo do queixo o atirando alguns metros para trás, sobre uma mesa onde uns "tipos" muito esquisitos já discutiam acaloradamente, daí até uma briga generalizada não demorou muito.


Trinta minutos depois só restavam dois homens de pé, Belerofon, próximo ao balcão e um homem magro e alto, próximo a lareira.


- Você quem começou essa merda toda né?


- Sim, por que? Vai encarar?


Por mais rápido que Belerofon fosse, a agilidade do outro homem era absurda, entre um desvio e o outro, ainda aplicar três ou quatro chutes e socos. Se Belerofon não fosse tão resistente, provavelmente já teria sido derrotado.


Socos, chutes, objetos arremessados, corpos arremessados, e uma ou duas horas depois os dois lutadores completamente exaustos viram a milicia da cidade entrando pela porta.


Um pomposo comandante entrou por ultimo, portando um biogode frondoso, lembrava muito as "barbas de pau" que cresciam pelos galhos das árvores na região pantanosa de Oerthas. No alto de seus 1,60m de altura ele bradou.


- Senhores, vão passar a noite de hoje na cadeia. Belerofon e o outro homem cruzaram olhares e começaram a gargalhar, o outro homem riu tanto que começou a chorar, Belerofon caiu sentado.


Nem bem cinco minutos depois saíam Belerfon (carregando um barril de cerveja nos ombros) e o outro homem.


- Oe, como se chama rapaz?
- Vlad, me chamam de Vlad.
- Sou Belerofon, prazer.
- Eu sei.
- Ah sim, me chamaram pelo nome lá dentro várias vezes antes de começar a peleia.
- Não... Eu sei que é um prazer me conhecer.


Belerofon riu e continuo.


- Vlad, vou beber isso em homenagem a um amigo que morreu hoje e depois estou pensando em ir ao vilarejo de Alertha procurar uma recompensa ou algum trabalho do tipo, senão tiver mais o que fazer, poderia contar com a ajuda.


- Belerofon, será um prazer. Mas antes tenho uma pergunta.


- A vontade.


- Tem algum puteiro no meio do caminho?


- Vlad... Esse é o início de uma bela amizade.

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