sexta-feira, 19 de agosto de 2011

crônicas de um mala 2...

Interessante como a gente começa a entender certas coisas conforme os anos vão passando né? Quando era muleque não conseguia entender de jeito nenhum por que meu pai estava meio quietão no final do dia, quando chegava em casa... Sobrancelhas semicerradas e diversos suspiros... Parecia um búfalo... O que fazia com que os adultos passassem a maior parte do tempo em casa, com a cara fechada?

O que ao longo do dia estragava-os tanto à esse ponto... Como eu, cansado, depois de ter corrido boa parte do dia com os pés descalços pela rua, com os olhos cravados na TV, ou assistindo aos enlatados japoneses, ou jogando um Mega Man no meu Super Nintendo... Não ficava daquele jeito...

Já há algum tempo começou a cair a ficha, a cama já parece não lhe abraçar, como acontecia anos antes, o mesmo dá pra se dizer do gosto do Nescau, as pessoas que riem (ou falam) o tempo todo passam a te incomodar um pouco, bem como as que não riem... Você se torna mais seletivo, quanto a música, ambiente, pessoas, comidas, bebidas, games, filmes, leituras, etc, etc, etc... Até que BAM... Você é um mala...

Os defeitos das pessoas, que antigamente lhe saltavam aos olhos, passam a lhe berrar aos olhos... Subitamente a voz de outras pessoas, os gestos, o respirar começam a irritar... Um carro caindo "cuecas" pra fora enquanto o som (no último volume) empurra pelos seus ouvidos batidas tão mixadas que parecem um robô sendo estuprado por um carrinho de rolimã... Coisas que cê nem percebia anos atrás, passam a tornar interessante a ideia de morar em uma caverna no meio do Nepal...

Nem duvido que os eremitas nada mais são que malas "extreme edition"...

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