quarta-feira, 13 de julho de 2011

RPG de mesa...

Então... Na minha adolescência, entre uma festa/farra e outra, encontrei tempo para, com um grupo de amigos (Pedro, Henrique, Darlon e Marlon, para citar os nomes), jogar RPG de mesa durante horas e mais horas...
Imagem meramente ilustrativa

As sessões eram regadas a refrigerante (ou suco vagabundo) e lanches rápidos, lembro como se fosse hoje a galera atirada pela casa da vó do Henrique tomando Tang enquanto a mesa tava crivada de papéis, livros, dados de 6 lados e farelo de bolacha...
Cada player levava o game a sua maneira, o dono da "sede" era o próprio Berserker, lembro que o mestre sacaneava ele o tempo todo, inclusive levando-o a engravidar a prosti mais feia de um bordel... Eu era o maior apelão da história, vivia com o meu manual do jogador e do mestre debaixo do braço... Darlon e Marlon eram players mais controlados...

Me irritava tanto pelo mestre não seguir regras que, nem uma nem duas vezes rasguei minha ficha de persona e sai esbravejando no meio da sessão... Demorei muito tempo pra entender que ele se chama mestre por uma razão, e que as regras são apenas um pano de fundo para uma história que ele tá contando...

Mas por que entrar nesse assunto? Por que falar sobre algo tão ultrapassado quanto o RPG de mesa, um ritual arcaico de um período que já passou.

Por que há anos venho pensando em montar um grupo de RPG novo, com jovens interessados em pensar enquanto jogam, jovens criativos e que cultivem um tempo de bate papo, algo que para meu desespero tem se tornado impossível.

Fico pensando se essa geração que nasceu entre 4 e 8 anos depois da minha dispõe daquela parte criativa do cérebro. Se esses jovens conseguem visualizar uma cena em suas mentes sem ter que ver por uma tela (monitor ou televisor) e se entendem que jamais, qualquer RPG eletrônico vai sequer chegar perto da complexidade da mente humana.

Coisas que me entristecem são os famosos MMOs... A exemplo do Champions Online, gratuito no Steam... Admito, viciei nessa merda... E é aí que está o problema, MMOs são fáceis, você cria uma máquina de pancadaria e larga num campo a matar outros bichos... E pronto, fórmula do sucesso aprovada, você mata tantos bichos até encontrar uma armadura ou espada, troca pela sua, vende ou sei lá... Mata mais bichos e entra nesse loop infinito... Admita, cê não precisa de um cérebro pra isso...

Mas o que me tirou pra louco foi que existe um campo em Champions onde você pode digitar o background do seu personagem... Aí eu pergunto... PRA QUÊ?

Você não tem qualquer interatividade com o mundo, não pode por exemplo, escolher mandar os heróis a merda e iniciar sua própria guilda de ladrões ou o escambau... Cê segue de missãozinha em missãozinha até enjoar o troço... O que comigo já aconteceu... Pena, por que o jogo tinha potencial...

Admito que é muito diferente quando pegamos em mãos um título da Bethesda ou Bioware... Responsáveis pela série Fallout e Mass Effect...

O primeiro pinta um cenário altamente criativo, e realmente te passa, em certos momentos, a tristeza da Washington desolada e em farrapos.

Já o segundo montou um universo repleto de personagens tão complexos que é de cair o queixo.

Na minha opinião, são os maiores expoentes do RPG eletrônico (não me venha com Final Fantasy, aquilo parece MMO de tão linear), mas que mesmo assim, não se aproximam da beleza de uma aventura de RPG de mesa... Quer um exemplo de não-linearedade?

Belerofon, persongem de Henrique, entrou em uma loja de armaduras medievais... Queria comprar uma armadura melhor, recém havíamos saído de uma masmorra e estávamos com os bolsos transbordando de tanto ouro... Chega ele ao dono da "budega" e segue a conversa.
- Boa tarde amigo.
- Boa tarde meu rapaz, em que posso ajudá-lo?
- Eu queria uma armadura +7. (os que já jogaram RPG entenderam)
- Perfeitamente... O cara virou as costas, saiu... E veio com muita dificuldade trazendo 8 armaduras e as atirando sobre o balcão.
- Mas o que é isso?
- Ué, uma armadura, mais sete.
Enlouquecido com a trollagem master do vendedor, Belerofon matou o mesmo... E por isso se incomodou diversas vezes com as forças de segurança das cidades por onde passou...

Me diga qual RPG eletrônico te dá tamanha gama de realidade e possibilidades...

As capas de revistas dispostas no post são sobre a revista Dragão Brasil, grande publicação que tinhamos anos atrás... Hoje em dia... Hummm... Not so much...

Por outro lado, a editora Daemon, detentora do sistema de jogo Daemon, disponibilizou em seu site algumas centenas de livros (netbooks) com regras e cenários prontos para jogo, basta ter alguém com cabeça de mestre (como se isso fosse pouco) que leia as regras e monte a história... E quanto as regras, não se preocupe, se não quiser usar qualquer regra, tá valendo igual... O importante é que as sessões sejam divertidas para todos... E para isso amigos... Criatividade é a palavra chave...

6 comentários:

  1. Bah Guilherme...também joguei muito RPG de mesa quando era mais novo...achava mto massa tanto que falei com o Igor que sei que também jogava para fazermos um grupo porque achava muito melhor que joguinhos de computador ou video game de RPG.
    Acho a não-linearedade como tu colocou muito motivante no jogo... quando jogávamos também aconteceu algumas situações muito imprevistas como o personagem de um integrante do grupo matar o do outro.
    Se um dia for montar um grupo so parceiro pra jogarmos...

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  2. Pois é Trep, até existem games que tiram um pouco linearedade, mas mesmo assim, ficam muito aquém das possibilidades de um rpg de mesa... O problema é achar mestre Trep... Hahahaha

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  3. Bah, eu jogo rpg de mesa ha 5 anos, e não troco pelo computador, tenho 20 anos... Não acho que isso tenha se perdido, pelo contrario, acho que esta voltando.

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  4. Amém Lauruxah!!!, amém, hoje em dia o que me quebra é a falta de tempo... Maldita vida adulta...

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  5. E isso ai galera, o RPG tem um grande potencial por não estar limitado a uma simples tela LCD ou LED, jogo RPG faz uns 5 anos, nem lembro direito, e as coisas nunca se repetem, sempre tem aquele cénario que ninguém jogou ou aquele que o pessoal vive jogando e rejogando... Gosto muito disso e muito bem Lauruxah, e dificil achar garotas que joguem RPG mas as que gostam valem a viagem, pode crêr que o tempo não e limite para a diversão, afinal, os dois Carinhas que criaram o RPG jogaram ate ficarem velhos, provavelmente até morrer, se você tem um jogo de oportunidades infinitas na mão e claro que da pra passar um bom tempo jogando..

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  6. Sou narrador de RPG a 5 anos e posso GARANTIR que qualquer jogo de computador/vídeo game não chega enm perto do bom e velho RPG de mesa ,sem dizer os benefícios que o jogo traz para vida do sujeito , até a NASA utiliza o RPG como ferramenta de socialização com os astronautas , e digo mais o RPG não morreu ,´praticamente todo mês é lançado algo , um bom exemplo é o incrível Old Dragon, RPG produzido pela editora Red Box , que chama a atenção pela qualidade e pelo preço acessível de seus produtos , o RPG tbm é bastante divulgado pelo tio nitro em seus vídeos no youtube , então bora jogar RPG moçada .

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